Linfonodo sentinela: Por que ele continua importante na era da Iimunoterapia?
- Dr. Luiz Fernando Nunes

- há 2 dias
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Nas últimas décadas, poucos temas geraram tanta discussão no tratamento do melanoma quanto o papel do linfonodo sentinela. Com o avanço da imunoterapia e das terapias-alvo, muitos pacientes passaram a questionar se esse procedimento ainda é necessário. A resposta é sim: o linfonodo sentinela continua desempenhando um papel fundamental no manejo moderno do melanoma.

O linfonodo sentinela é o primeiro linfonodo que recebe a drenagem linfática da região onde está localizado o tumor. Por esse motivo, ele é também o local com maior probabilidade de receber células tumorais caso o melanoma tenha iniciado sua disseminação.
A biópsia do linfonodo sentinela permite identificar metástases microscópicas que não podem ser detectadas pelo exame físico ou pelos exames de imagem. Essa informação é extremamente valiosa para determinar o estadiamento da doença e estimar o prognóstico do paciente.
Uma das principais mudanças dos últimos anos foi a compreensão de que nem todo paciente com linfonodo sentinela positivo necessita de uma linfadenectomia completa. Grandes estudos internacionais demonstraram que a observação cuidadosa com ultrassonografia seriada pode ser uma alternativa segura em muitos casos selecionados, reduzindo complicações sem comprometer os resultados oncológicos.
No entanto, essa mudança não diminuiu a importância da biópsia do linfonodo sentinela. Pelo contrário. Hoje sabemos que o resultado do procedimento é uma das informações mais importantes para definir o risco de recorrência e orientar decisões terapêuticas.
Na era da imunoterapia, essa informação tornou-se ainda mais relevante. Pacientes com comprometimento linfonodal microscópico podem ser candidatos a tratamentos adjuvantes capazes de reduzir o risco de retorno da doença. Sem a realização da biópsia do linfonodo sentinela, muitos desses pacientes permaneceriam subestadiados e poderiam deixar de receber terapias potencialmente benéficas.
Além disso, o resultado do linfonodo sentinela permite uma discussão mais precisa sobre prognóstico, planejamento do seguimento e necessidade de exames complementares ao longo do acompanhamento.
É importante destacar que a indicação do procedimento depende de características específicas do melanoma, como a espessura tumoral, presença de ulceração e outros fatores de risco. Nem todos os pacientes necessitam da biópsia do linfonodo sentinela, mas, quando indicada, ela continua sendo uma das ferramentas mais importantes da oncologia cutânea moderna.
A imunoterapia revolucionou o tratamento do melanoma, mas não substituiu a necessidade de um estadiamento preciso. O linfonodo sentinela permanece sendo a melhor forma de identificar a presença de doença microscópica regional e continua exercendo papel central na tomada de decisões terapêuticas.
Em outras palavras, na era da imunoterapia, o linfonodo sentinela não perdeu relevância. Ele se tornou ainda mais importante.
Dr. Luiz Fernando Nunes
Cirurgião Oncológico – CRM-RJ 62.888-3 | RQE 29380


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