Melanoma acral: por que o diagnóstico costuma atrasar?
- Dr. Luiz Fernando Nunes

- há 10 horas
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Uma forma pouco reconhecida de melanoma que frequentemente evolui de maneira silenciosa até o diagnóstico

Receber o diagnóstico de melanoma é sempre um momento delicado. Existe um impacto imediato, mas existe também uma reflexão inevitável sobre o tempo: quando isso começou, e por que não foi identificado antes?
No caso específico do melanoma acral, essa pergunta é ainda mais comum. Ao longo da minha prática como cirurgião oncológico especialista em melanoma, sarcoma e câncer de pele, tenho acompanhado pacientes que conviviam com uma alteração aparentemente discreta nas mãos, nos pés ou nas unhas, muitas vezes por um longo período, sem imaginar o seu real significado.
Esse não é um atraso causado por descuido. Na maioria das vezes, é consequência da própria natureza dessa doença, que tende a se manifestar de forma silenciosa e pouco característica.
A natureza discreta que explica o atraso no reconhecimento do melanoma acral
O melanoma acral é um tipo de câncer de pele que surge nas extremidades do corpo, nas plantas dos pés, nas palmas das mãos e sob as unhas.
Diferentemente do melanoma associado à exposição solar, ele não está relacionado ao sol. Essa característica, por si só, já contribui para que muitas pessoas não considerem essa possibilidade diante de uma mancha nessas regiões.
Além disso, sua apresentação inicial costuma ser sutil. Pode surgir como uma área escurecida na sola do pé, uma faixa pigmentada na unha ou uma mancha irregular que evolui lentamente ao longo do tempo.
Por não causar dor e por estar localizado em áreas menos visíveis, é natural que não provoque preocupação imediata. Mas, do ponto de vista biológico, trata-se da mesma doença, com comportamento potencialmente progressivo se não for reconhecida e tratada adequadamente.
Quando a aparência benigna leva a interpretações equivocadas
O erro mais comum que observo não é a negligência, mas a interpretação tranquilizadora demais. Muitos pacientes acreditam que se trata de uma micose, de uma mancha traumática ou de uma alteração sem importância. Essa percepção é compreensível, porque essas condições são, de fato, muito mais frequentes.
O problema surge quando a lesão não desaparece, se modifica ou cresce, e ainda assim permanece sem uma avaliação especializada. Existe também um fator importante relacionado à familiaridade com esse tipo específico de melanoma. Como ele é menos comum do que outras formas, nem sempre é prontamente reconhecido.
Na oncologia cutânea, a primeira decisão é super importante. A forma como a lesão é abordada inicialmente influencia todo o restante da condução.
O valor da análise estratégica desde o primeiro momento
Quando existe a suspeita de melanoma acral, a avaliação precisa ser conduzida com critério e estratégia. Isso envolve um exame clínico cuidadoso, muitas vezes complementado pela dermatoscopia, e, quando indicado, a realização de uma biópsia.
A biópsia é uma etapa fundamental, mas precisa ser realizada respeitando princípios oncológicos. Não é apenas a retirada de um fragmento, mas parte de um planejamento que considera o tratamento definitivo.
Uma abordagem adequada desde o início permite estabelecer com precisão o diagnóstico e definir o melhor caminho a seguir. Essa etapa é determinante para preservar todas as possibilidades terapêuticas e garantir segurança ao paciente.
Os benefícios de uma condução baseada em critérios oncológicos
Quando o melanoma acral é tratado com base em critérios técnicos bem definidos, o cenário se torna mais previsível. A cirurgia é planejada de acordo com a profundidade do tumor e com sua localização. As margens são definidas com precisão, e, quando necessário, a avaliação do linfonodo sentinela é realizada.
Cada decisão tem um propósito claro: controlar a doença e preservar, sempre que possível, a função e a integridade da região. O tratamento deixa de ser uma fonte de incerteza e passa a ser um processo estruturado.
Isso traz tranquilidade.
Traz clareza.
E, principalmente, traz segurança.
A perspectiva de quem dedica a vida ao tratamento dessa doença
O melanoma acral sempre teve um papel central na minha trajetória profissional. Dediquei meu mestrado e doutorado ao estudo dessa doença. Ao longo dos anos, acompanhei inúmeros pacientes com diferentes apresentações, o que me permitiu compreender profundamente suas particularidades.
Aprendi que o atraso no diagnóstico não é raro. E aprendi também que, mesmo nessas situações, uma condução adequada pode transformar completamente o cenário.
No meu consultório no Leblon, dentro de um contexto de atendimento particular, realizo com frequência a avaliação de lesões pigmentadas em mãos, pés e unhas, muitas vezes com o objetivo de esclarecer dúvidas e definir a melhor estratégia.
Esse tipo de decisão deve ser tomada com atenção, estratégia e experiência.
Segurança nasce da decisão correta
O melanoma acral é uma doença séria, mas que pode ser conduzida com segurança quando diagnosticada e tratada corretamente.
Mais importante do que o tempo que a lesão esteve presente é a forma como ela passa a ser conduzida a partir do momento em que é reconhecida.
Uma avaliação criteriosa permite compreender o cenário real e definir o melhor caminho.
Esse processo transforma a incerteza em clareza.
E a clareza traz segurança.
Uma avaliação criteriosa permite compreender o cenário com precisão
Inclusive, essa é uma situação que avalio com frequência no consultório no Leblon, onde o atendimento particular permite uma análise individualizada, respeitando as características específicas de cada paciente.
Quando indicado, a consulta permite uma avaliação criteriosa e individualizada.
Dr. Luiz Fernando Nunes
Cirurgião Oncológico
Especialista em Melanoma, Sarcoma e Câncer de Pele
Consultório no Leblon – Rio de Janeiro







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