CEC em imunossuprimidos: por que o risco é tão maior?
- Dr. Luiz Fernando Nunes

- há 11 minutos
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A pele também responde ao imunossupressor — e exige vigilância.

Pacientes transplantados ou em uso prolongado de imunossupressores apresentam um risco significativamente maior de desenvolver carcinoma espinocelular (CEC). A razão é direta: com a imunidade reduzida, a pele perde parte da capacidade de reparar danos celulares e de controlar alterações que, em pessoas com sistema imunológico preservado, seriam prontamente eliminadas.
Nessa população, o comportamento das lesões costuma ser diferente. O CEC pode surgir de maneira mais agressiva, com maior velocidade de crescimento e maior probabilidade de invadir estruturas profundas. Além disso, é comum o aparecimento de tumores múltiplos, resultado do acúmulo de dano cutâneo associado à menor resposta imunológica.
Outro desafio é a maior taxa de recidiva após o tratamento. Mesmo com cirurgias adequadas, essas lesões podem retornar, especialmente em áreas expostas ao sol ou em regiões previamente submetidas a traumas crônicos. O crescimento acelerado também exige atenção: pequenas alterações podem evoluir rapidamente, tornando fundamental reconhecer os sinais precoces.
Diante desse cenário, o acompanhamento dermatológico e oncológico deve ser regular e estruturado. Exames frequentes da pele, realizados por especialistas familiarizados com o comportamento do CEC em imunossuprimidos, ajudam a identificar lesões iniciais, muitas vezes pequenas, que podem exigir intervenção precoce. O tempo é um recurso valioso — quanto antes se intervém, melhores são os resultados.
Para quem utiliza imunossupressores, cuidar da pele não é apenas prevenção: é parte essencial do tratamento global. CEC em imunossuprimidos não é detalhe — é prioridade. A vigilância contínua é a estratégia mais segura para reduzir complicações e garantir um manejo eficaz dessas lesões.







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